Entre tamarindos, descobertas e perdas (Conto)
Tony era mais que um amigo: era quase um irmão de travessuras. A vida lhe pesava em casa, mas na rua ele se reinventava. O futebol na rua e no campo vizinho à casa de seu Alberto. As corridas sem destino, as gargalhadas que escondiam cicatrizes invisíveis; tudo isso fazia dele um menino igual a tantos outros, ainda que carregasse dores que eu só intuía. Foi numa tarde quente que ele apareceu com uma proposta curiosa: comprar tamarindo na casa da esquina da praça São Pedro. Mas não era só a fruta que o atraía. Havia uma menina “bonita”, disse ele, com uma simplicidade que escondia o turbilhão de novidades que se agitava no seu ser. No dia seguinte, fomos juntos. O destino, caprichoso, fez com que fosse justamente ela quem nos atendesse. O gesto simples de entregar o pacote de tamarindos ganhou contornos de descoberta. Só olhar pra fruta fez sairmos dali com o sabor agridoce na boca cheia d’água e uma sensação nova no peito. ...


.jpg)

