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O envelope pardo - memória de um aprendizado

      Naqueles anos, o tempo parecia correr mais devagar no sertão. O sol se deitava preguiçoso sobre as ruas e ladeiras, e eu, aos 14 anos, como menor aprendiz, descobria o mundo dentro de um prédio de paredes claras: o Banco do Brasil. Ali, entre o tilintar dos carimbos e o murmúrio das máquinas de escrever, aprendi que a vida se escreve também nos detalhes.      Meus mestres se tornaram bússolas: Nadinho (Reginaldo José Raymundo), com sua calma que serenava os dias — embora detestasse reuniões; Capiá(Luiz Antônio de Farias), sempre presente, quase um irmão mais velho; e Djalma Carvalho, o supervisor, cuja voz firme carregava a autoridade de quem sabia ensinar sem levantar a mão, apenas com a força da palavra.      Foi ele quem me entregou, certa manhã, um envelope pardo. A tarefa parecia simples: escrever “material de expediente”, acrescido do nome da agência destinatária, para onde seria enviado, via malote. Mas minha pressa juvenil traiu...

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